A inteligência artificial tem sido uma boa parceira criativa na minha vida. Até porque, nos últimos anos, venho moldando meu próprio conceito de criatividade. Acredito que ser criativo é combinar coisas para descobrir coisas novas.
Já reparou como as crianças são ótimas nisso? Misturam suco com comida, giz de cera com parede, roupa branca com tinta vermelha… E a gente, no fundo, sente inveja (ou saudade) dessa liberdade. Também fomos assim um dia. Só que, à medida que crescemos, colecionamos vozes que nos “ensinam” o “jeito certo” de agir, de agradar, de passar no vestibular, de ser um bom profissional. E, no processo, vamos matando a criatividade.

Nos tornamos pessoas mais bloqueadas, com medo de tentar, perguntar, errar. Claro, isso nos ajuda a viver em sociedade, mas ainda podemos manter dentro da cabeça aquele quartinho da bagunça — o espaço onde nossa criatividade se solta. E é aí que a inteligência artificial ganha espaço.
Sou da época em que, para ter referências para inspiração, era preciso ir até a biblioteca, ao museu, esperar o fascículo na banca ou a programação na TV. Hoje, tudo está na palma da mão e — pelo menos por enquanto — de forma razoavelmente acessível.

Eu converso com a IA, mas sem deixar de colecionar experiências. Funciona para mim ter um caderno de recortes, pastas de referências no computador, ler livros, ver filmes, fotografar, desenhar… e depois levar tudo isso para a inteligência artificial me ajudar a processar rapidamente. Como redator, também uso a tecnologia para revisar conceitos, ajustar formatos e limpar vícios de escrita. É um processo contínuo de input-output: antes demorava uma vida e me fazia abandonar projetos; agora acontece em minutos.
Faço brainstorms, exploro caminhos, encontro fontes, testo ideias, estudo. Em outras palavras: combino as coisas que vivo com essa fantástica máquina de processamento que é a IA. Mas atenção: não dá para chegar vazio a ela. É preciso experimentar a vida — porque é na vida que as ideias realmente acontecem.
Pausa para uma dica!
Recentemente descobri o NotebookLM, assistente de pesquisa e anotação com IA desenvolvido pelo Google Labs e integrado ao ecossistema Gemini. É uma plataforma robusta e muito útil para estudo, trabalho e organização pessoal. Funciona como um “caderno digital inteligente”, no qual você pode carregar suas próprias fontes de informação — PDFs, documentos, links, áudios, apresentações, vídeos com legenda e imagens. A partir desse material, ele interpreta e gera sínteses personalizadas: resumos, explicações, guias de estudo, FAQs, mapas mentais, linhas do tempo, resumos em áudio no estilo podcast e até apresentações em vídeo com narração — tudo com base no conteúdo fornecido pelo usuário.
Importante lembrar: ao usar IA, nunca compartilhe conteúdos sensíveis, como dados pessoais ou informações restritas.
E a ética?
Ela fica no mesmo lugar onde guardamos nossas referências. No meu caso, se mantém presente toda vez que interajo com a inteligência artificial. Recuso-me a pautar meu pensamento no mau uso que alguns fazem. Afinal, gente corrupta existe desde antes do primeiro livro publicado no mundo e não deve guiar nossas expectativas.
Minha ética é a regra básica que levo para qualquer “jogo” e está incluída em todas as perguntas que faço à IA.
Criatividade sem ponto final
A sociedade entre a inteligência artificial e nossa criatividade está só começando. Prefiro acreditar, na contramão dos apocalípticos, que ela vem para somar, como ferramenta aliada. Ignorá-la é desacelerar nosso próprio desenvolvimento e desperdiçar possibilidades criativas.
Este artigo foi produzido originalmente para o blog interno de comunicação da Appian Capital Brazil, empresa para a qual presto serviço como redator.
